terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pra você


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Simplicidade

Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia
Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso
Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria
Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia
(Patu Fu)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Não gostei


Não vi com bons olhos. No mínimo me surpreendi com o que não deveria me surpreender mais. Será que ainda não cansaram de mostrar o Piauí como o estado árido, pitoresco e engraçado?


Em mais uma aparição em rede nacional, me assustei ao escutar frases no mínino instigantes. Quer uma? “O Piauí é um estado escondido e exótico”. Essa foi para o encerramento do programa Câmera Record, um especial que mostrou o quanto o nosso estado é “diferente” do resto do mundo.


Resumindo, apresentaram o Piauí como um grande interiorzão. Um lugar onde o povo fala priziaca (o que é isso?) e pau de placa (quem fala isso?). Um lugar onde o povo adora calça “pega marreca” (e tá na moda?). Um lugar onde o povo come panelada no mercado e depois vai “xenhenhenhar” (essa deu embrulho no estômago).


De “quebra”, muita estrada de chão batido, burricos no meio das ruas, laranjas e limões gigantes e um idoso que adora tomar pinga às 11 da manhã.


Não teve nenhuma ou quase nenhuma imagem urbana. Aliás, nem consegui me identificar com o contexto explorado no programa. Juro. Tá certo que rolou cajuína e opala. Mas era difícil deixar de falar nisso, né?


Quer saber o que salvou um pouco? A simpatia quase exagerada da repórter misturada a simpatia quase ingênua de todos os que foram entrevistados.


Não é questão de auto-estima. É questão de querer ver a verdade mesmo. O Piauí tem várias caras, mas a imprensa insiste em mostrar apenas uma face.


Eu sei que o que é diferente vai sempre gerar mais audiência, mas é preciso ser um pouco mais realista. Como disse o grande apresentador Marcos Hummel, o Piauí anda mesmo escondido. Acredito que em imagens clichês, quase preconceituosas.


Tudo bem, você pode ter curtido. Respeito. Não vou discutir. Mas eu juro pra você, não gostei.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A alma e o espírito




Hoje é dia de rezar para a Dona Propaganda: a alma do negócio.


Em tempos de espírito natalino, é bom também acender uma velinha ou ligar um pisca-pisca para o padroeiro das frases clichês e das figurinhas de banco de imagem free.


E que dezembro termine logo!


Amém!




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

...


Três pingos, multiplicados a vários outros pingos, pontuaram a noite.


Isso porque São Pedro resolveu dar o ar da graça.


O telejornal até noticiou cedinho que os lençóis fininhos deram lugar aos edredons, que ninguém ficou banhado de suor e que a luz, sufocada pelo brilho dos raios e relâmpagos, resolveu ir embora à meia-noite.


Acordei tão diferente que resolvi calçar minha bota e ser uma pessoa muito fria hoje. Aliás, fria, calculista e decidida. Não fico mais nesse “chove e não molha”.


Por falar nisso, nesse momento, nem chove e nem molha. Três pingo (somente três pingos) insistem em forçar a barra. (É muito complicado controlar três pingos imaturos.)


E o dia continua completamente imprevisível...

domingo, 30 de novembro de 2008

Solzinho


O Piauí é um Estado muito democrático. Aqui todos têm um lugarzinho ao sol. Eu disse TODOS.

Afirmo que não é nem preciso nascer com a bunda para a lua. (Sorte de quem nasce no Piauí!)

O Sol é a grande lâmpada que aquece sonhos, derrete chocolates, frita ovo no asfalto e que faz a gente suar a camisa sem sequer fazer qualquer esforço.

E tem mais, o nosso sol aquece relações. No elevador, na parada de ônibus e na fila do banco o início da conversa é sempre igual: “tá quente hoje, hein?”. Daí começa uma amizade calorosa.

O sol também nos une. Triste do turista que disser, debaixo de uma sombra de 45 graus, que o Piauí é quente. A gente diz logo que é fres-cu-ra. (E não é das boas.)

Não tenho do que me queixar. Sol é coisa bonitinha. Principalmente quando a gente desenha e faz olhinhos expressivos e boquinha feliz.

Gosto do nosso solzinho. Juro! Sou um ser adaptado.

E quer saber? EU TENHO MEU LUGAR AO SOL. VOCÊ TAMBÉM.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

I’m Yours

O dia começou com a surpresa de ver uma caixinha de papelão sem graça sobre a mesa da copa. Era Jason Mraz e o astral de “I’m Yours”. Comprei nas Americanas com a certeza de que , se custasse três vezes mais, mesmo assim iria parar na sacolinha virtual.


Acho que uma boa música é como um bom livro, uma boa conversa, um carinho especial ou mesmo como uma oração. Tudo isso desperta, acessa os sentimentos mais nobres, renova e deixa a gente mais feliz.


E se felicidade é o que eu mais quero, faço questão de conquistá-la. Algumas vezes ela vem sem avisar, de graça. Mas agora eu sei que a gente pode até comprá-la às vezes. Inclusive no cartão. Como já falei, minha felicidade mais recente veio pelos Correios, custou 37 reais (sem frete) e demorou só 3 dias para chegar.


Tem coisas que realmente não tem preço. Uma delas é ouvir Jason Mraz.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Tenho medo desse oba-oba!

Obama '08 - Vote For Hope from MC Yogi on Vimeo.

O discurso é o mais politicamente correto possível. E, detalhe, flui bem mesmo sem TP (teleprompter).

O seu compromisso maior é (resumindo): realizar sonhos.

É um fenômeno de popularidade mundial (ou populismo?).

E detalhe: fala o que a maioria espera ouvir.

Exagerando... Não diz nome feio, sabe combinar a gravata com todo o resto, não ronca, dá atenção para a avó doente, não tira a meleca do nariz enquanto dirige, coloca as filhas pra dormir e deve beijar de olho fechado.

Enfim, sem onda e nem rodeios, ele veio do Havaí e adora navegar. Especialmente na net. Aliás, ele também fez todo mundo navegar, já que usou e abusou dessa mídia em sua campanha. (É um rapaz antenadíssimo!)

Não gosta de guerra, apesar de ter Hussen no nome e de, muitas vezes, ser chamado de Osama.

Aliás, pra arrematar, ele não usou o discurso do “candidato negro que representa as minorias” para conquistar seu passaporte para a Casa Branca.

Enfim, admiro muito tudo isso, mas tenho medo desse oba-oba .

De qualquer forma, desejo boa sorte. Ou melhor: good luck.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

É assim que tem que ser



Há exatamente 3 anos eu conheci o diabetes e a sensação ruim da impotência. Do não poder fazer absolutamente nada. Descobri, no mesmo dia, que um filho pode ter saúde ou não. Por mais que a gente lute por uma vida sem dor, sem febre, sem mal-estar. Por mais que a gente dê as vacinas em dia. Por mais que a gente amamente ou faça o melhor plano de saúde do mundo.


Aliás, descobri que planos a gente faz e desfaz. Nem sei quantas vezes eu falei nos brigadeiros que comeria com Enzo nas festinhas. (Logo eu que amo festinha de criança.) Mas a vida me mostrou que a alegria das festinhas vai muito além do brigadeiro. Muuuito além.


Aliás, hoje para mim é dia de festa. Revivo o meu “sofrimento” de 3 anos atrás com muita gratidão. Sou abençoada por tudo. Sinto-me, inclusive, especial. Sou mãe de uma criança diabética e sei que Deus não me escolheu à toa. Enzo não é meu filho à toa. E quer saber? Eu não tenho um blog à toa. Eu não escrevo tudo isso à toa.


Este é meu espaço de cura. Nesse momento, escrevo para mim. Não sei o que me espera pela frente, mas sei que posso sempre contar com o abraço sincero do Enzo. Ele é que é importante. O diabetes é só um detalhe que precisa ser levado a sério. O mais bacana é que eu aplico insulina sorrindo e que meu Enzo, pra completar, recebe com serenidade todas as furadinhas. É assim que tem que ser.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Nem morta!

Não quero nunca...

Morrer de frio.

Morrer de vergonha.

Morrer de medo.

Morrer de saudade.

Morrer de preguiça.

Morrer de inveja.

Morrer de sono.

Se eu pudesse escolher o melhor jeito de partir, seria MORRENDO DE RIR.

Fui!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Quero uma LOVE


Amo foto e não tenho máquina. Nem digital. Aliás, minto, lá em casa tem uma Kodakossauro Rex. Conhece? (Não. Claro que não, né?) É um modelo muuuuuuuito antigo que precisa de filmes. Na verdade, essa é do tipo que adoooora fazer surpresa! A pessoa espera até “bater” a 36ª pose para mandar revelar e muitas vezes ainda é obrigada a escutar: “só prestaram 30 poses”. Ou: “queimaram todas”. (Como assim? Queimaram? Nossa, mas eram justamente as fotos da minha formatura!)

Até que as digitais vieram com tudo. Detalhe: sem filme e sem surpresa. Você faz a pose e logo em seguida vê o resultado. (“Não, vamos tirar outra! Saí dormindo”. “Nã, fiquei esquisita. Tira outra!”. E por aí vai...)

A novidade é boa, mas banalizou a coisa da foto. Não é preciso mais nada, nem um bom motivo para fotografar. A toda hora você pode posar e ver o resultado. E, detalhe: todo mundo agora virou fotógrafo. Com um pouco de sorte e alguns pixels a mais é possível ter o mais belo pôr-do-sol de todos e arrasar.

Engraçado mesmo foi conversar outro dia com um amigo publicitário, diretor de arte. Orgulhoso ele tirou da carteira a foto da filha de 3 anos. Menina linda, por sinal, mas toda “photoshopeada”: cor do cabelo, dos olhos, dos dentes. Deu vontade de perguntar: como é ela mesmo? (É isso. Tão mascarando até as maravilhosas imperfeições das crianças.)

Conclusão: todo mundo fica bem na foto. Não tem mais aqueles olhos vermelhos horríveis, lembra? Não tem mais gente com ruga. Não tem mais pele manchada. É todo mundo meio capa de revista. Beleza, né? (As feias que me perdoem, mas a digital e o photoshop são fundamentais).
Mas quer saber? Eu amo mesmo é uma LOVE. Lembro-me de uma viagem que fiz ao Rio de Janeiro com uma na bagagem. A bichinha era descartável, mas funcionava direitinho (Alguém lembra dela?). Era só revelar e ganhar outra no ato. Bacana também era poder distribuir as duas fotos menores que vinham coladas na foto grande. Era sempre uma farra.
Mas tudo bem, eu sei que tudo passa e, pra não queimar minha imagem de mulher moderna, vou aderir sim à máquina digital, como já aderi ao notebook (meio relutando). Diga, XIS, vai!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Uma jovem senhora infantil


E eu me assumo infantil.
Completamente regredida.

Boba para quase tudo.
Besta até dizer chega.

Mas não sou uma regredida solitária.

Tenho amigos tão infantis quanto a Maísa do SBT.
Só fico séria quando não sou compreendida. Aí, meu caro, fico no padrão. Do jeito da maioria.

Porque exigir de uma mulher de 34 anos, casada e mãe de família, a seriedade que beira a hipocrisia? E se eu não tiver vontade de falar coisas sérias? E se eu quiser ser uma jovem senhora infantil?

Eu tiro fotos com nariz de palhaço, dou risada alta quando não posso e me visto do jeito que eu quero me ver no espelho. Não espero aprovação de ninguém. Sou infantil por opção.

Meu espírito é aberto para a alegria. Para as brincadeiras que só incomodam os chatos.

Na verdade, sou uma criança grande de alma leve. Aliás, nesse momento, preciso de um pula-pula urgente. E quer saber? Se Deus quiser, um dia eu ainda vou à Disney.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Igual, mas diferente.

Outro dia, Enzo brincava concentrado com seus carrinhos.
Quando viu que eu me aproximava, parou a brincadeira, sorriu, olhou satisfeito para a moça que cuida dele e disse: “OLHA MARCÉLIA, A MAMÃE CHEGOU. ELA É IGUAL AO ENZO, SÓ QUE ELA É DIFERENTE, PORQUE O ENZO É DIABÉTICO.”

Nesse dia eu constatei (ô palavra chata!) que, além de ser consciente sobre sua condição de diabético, de “diferente”, Enzo é também muito bem resolvido. Essa maturidade precoce, com certeza vinda de Deus, é que faz com que ele enfrente com naturalidade todas as privações e furadas.

Enzo até acredita em Papai Noel, fadinhas, princesas, abelhas que falam, mas conhece bem a sua realidade. Aos 3 anos e 8 meses, ele já sabe que tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta, o coração tranqüilo e o açúcar bem longe.

E, acredite, apesar dos problemas, o nosso dia-a-dia é sempre tão doce quanto uma boa rapadura. Ontem, por exemplo, enquanto ele curtia o Dia das Crianças com uma doce barrinha de chocolate diet, eu me deliciava com um brigadeiro enorme, nada diet. É porque somos iguais e diferentes ao mesmo tempo, sabe? Enzo me disse isso um dia. Sábias palavras.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

E eu durmo numa goteira dessa?

Eis a agenda do candidato Major Avelar - do...qual é mesmo o partido?- no último dia 12 de setembro... “Vai ao Shopping e depois a uma pizzaria da Zona Norte com a família para comemorar 12 anos de Sandino, seu filho mais novo”. (Fonte: www.acessepiaui.com.br)

Tinha que dividir essa com vocês.

Aliás, tava precisando sorrir.

Beijos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Moral da história

Disseram que ele era um rei. O coitado acreditou.

Vivia equivocado. Ao invés de casar com a rainha, optou pela bruxa ignorante (Qual o “poblema”?).

Seu castelo era de areia e seus óculos tinham lentes muito escuras. Sempre achava que o céu não tinha brilho, que a vidraça do vizinho sempre estava suja e que a bruxa colocava muito feijão no prato dele.

Não sabia ouvir um “não” e nem um “talvez” e gostava de impor respeito pelo volume da voz (esse era seu melhor argumento).

Nunca gostou de estudar e faltou a aula justamente no dia em que a professora explicou o significado da palavra MORAL. E assim, continuou sua vidinha equivocada perdendo, inclusive, outras oportunidades de receber lições de vida valiosas.

Achava-se o próprio defensor da moral e dos bons costumes, mas na verdade, ele era mal exemplo, mal caráter e mal resolvido. Vivia brigando com um e com outro por se achar proprietário da razão incontestável (pagou com cheque ou deu calote?).

Com sua falsa moral ele seguia. Gritava com um aqui, com outro ali... No final do dia, o rei gritador pedia para a amada bruxa preparar chazinhos tranqüilizantes. Nem o coitado se agüentava. No fundinho, no fundinho, ele sabia que não era um REI, e sim, UM ERRO.

Moral da história: Alguns reis de mentirinha acabam virando bobo da corte.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Muro


A visão é limitada. De cima do muro não é possível vislumbrar o horizonte. Talvez apenas o outro lado da rua.


O muro é o refúgio de muitos que querem escapar da mordida do pit bull, da calçada escorregadia após um dia de temporal, do papo sem futuro da fofoqueira-mor (ou fofoqueiro, como queira).


Quem está em cima não quer ser incomodado, não quer participar, se indignar e, muito menos, ter trabalho. Aliás, quem gosta de ficar em cima do muro também gosta de subir com facilidade. Pra gente assim, a escada é a maior de todas as invenções. Ou melhor, a segunda, a primeira maior invenção seria o próprio muro.


Sinceramente, chego a pensar que descer, nesse caso, é mais difícil que subir (Reformulando o velho ditado: nem santo ajuda!). É preciso ter coragem para escolher o melhor lado e se jogar.
Pra falar sério, não gosto de muros. Já andaram quebrando alguns (Lembra do de Berlim?). Já picharam outros. Já colocaram mensagens de paz (O famoso Gentileza fazia isso muito bem).

Tudo bem, não vou tocar no seu muro (Se é que você tem um!). Só não me convide para ver tudo de cima. Tenho fobia a tudo que está a um metro do chão. Gosto de ter um lado certo. De fazer escolhas. E o que é melhor: gosto de pagar o preço por essas escolhas. Não tenho medo de pit bull, nem de calçada escorregadia e sei evitar gente fofoqueira e chata como ninguém. Sabe como? Colocando um muro invisível entre eu e a pessoa. Fica ela de um lado e eu do outro. Tá resolvido!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pode dar F5

Algumas “cobranças” bem legais, alguns comentários recentemente postados em textos “antiguinhos”, algumas idéias soltas, alguns desabafos necessitando de espaço... Enfim, já deu pra sentir que é hora do blog andar.

A verdade é que, mesmo sem ir para o papel, coloquei alguns pingos nos “is”, fechei aspas, apaguei reticências e botei a interrogação pra correr. Tudo assim, na minha cabeça e no meu coração. É claro que a fase pede revisão rigorosa. (Sempre tive muita dificuldade de pontuar certos assuntos.)

Neste exato momento eu só sei que tenho um blog e preciso cuidar dele. Não vale a pena esperar a inspiração se manifestar ou mesmo o esmalte da unha secar. É claro que eu não vou fazer um texto grandão só pra justificar o tempo que eu me ausentei. Como redatora publicitária, aprendi que o tamanho da “redação” deve ser proporcional ao tamanho da informação e dos argumentos a serem trabalhados. (E ponto final.)

Enfim, VOLTEI. Pode dar F5.

Saudade de você, viu?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Centopéia


De baixo do pé-de-pau ela sonhava.


Não queria ser pé-de-chinelo e nem pé-de-pano de um qualquer.


Também não queria passar a vida inteira vendendo pé-de-moleque nas ruas.


Ao pé-da-letra, queria ser gente e casar com o jovem sapateiro da esquina, rapaz que sempre “puxava” um pé-de-conversa com ela.


Ao pé-das-coisas, tudo era simples demais. O avô tava com o pé-na-cova e precisava de remédio.


Faltava só acordar, calçar a sandália e pé-na-estrada! Tinha muito pé-de-moleque para vender.


A realidade, muitas vezes, é um pé-no-saco! Tem até chulé!


Pé-na-tábua!
(Fiquei na maior dúvida em relação aos hífens. A regra diz que o que tiver sentido figurativo leva o tal tracinho. Confesso que tô meio cabreira agora. Socorro, Prof. Pasquale!)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um fio de linha marrom no meu paletó


Deixei rastros.


Um pouco de mim ficou em lugares até então desconhecidos. Tudo mudou depois da minha passagem por Brasília.


Agora sei que os anjos da Catedral vão sentir menos frio, que o Alex vai precisar dar uma conferida na roupa antes de sair do carro, que a Lis vai lembrar de mim todo vez que for varrer a casa, que a “Elvira Matilde”(loja que a Lis queria muito me apresentar) vai ligar seus aspiradores de pó na velocidade 5, que os homenzinhos da exposição “De Brasília à Tropicália” vão pegar o primeiro ônibus que passar e que a estátua viva da Feira do Paraguai vai me ver morta de vergonha.


Minha blusa de linha marrom quase não existia mais no final de um dia muito intenso. É nisso que dá comprar roupa de frio em promoção. (Leia-se: Riachuelo, 40 reais, em 5 vezes.) Achei que estava arrasando. Juro!


Lula precisa criar o “Bolsa Inverno”. Ou melhor, o "Blusa Inverno". Se duvidar, até ele vai ter um pedaço de linha marrom no paletó. Se junto for um fio de cabelo preto, vai ser confusão na certa.


Dona Marisa, juro que fui a Brasília bem intencionada!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O valor de cada coisa.


O orégano sobre a pizza não é só um detalhe.

Nem o delineador passado delicadamente sobre a pálpebra.

O lençol com cheiro de amaciante é, na verdade, tudo o que faltava.

Assim como o suco feito da fruta colhida no quintal de casa.

Não é detalhe o salto-alto em dia de auto-estima baixa.

Nem é sem importância o chapéu no dia em que a gente precisa colocar as idéias no lugar.

A moedinha para a máquina de café é essencial.

O posto de gasolina quando a luz da reserva acende, também.

Não é só um detalhe ver uma estrela caindo. Principalmente quando a gente deseja realizar um sonho.

Não é só um detalhe saber quem é o nosso anjo da guarda, pois é sempre importante conhecer quem acompanha a gente.

O detalhe determina o valor de cada coisa. Não é à toa que a torta decorada com cereja é a mais cara da padaria.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

E o tempo me deve respostas.

Sinto-me sabotada. A hora passou do ponto. Os segundos nem dão mais para ser contados (penso que ganharam asas). Tenho a impressão de que o dia não tem mais 24 horas e que o chamado “horário comercial” foi vendido em alguma promoção.

Incrível perceber que já estamos na metade de 2008 e que daqui a pouco vou fazer anúncios de oportunidade focando o Natal.

Aliás, Papai, não o Noel, já partiu há 5 meses, mas parece que foi ontem. (Também não consigo medir a saudade que sinto).

Acho que todo mundo perdeu a noção. Pedem tudo meio atrasado e isso tá ficando natural.

Não vou colocar a culpa no efeito estufa, no aquecimento global, nos políticos, no colega que adora ser do contra, nos Nardoni e nem na Mulher Melancia.

Talvez eu esteja tentando abraçar o mundo. Aliás, já refiz minha lista de prioridades para o segundo semestre de 2008 e resolvi que vou querer mais tempo pra mim. Tudo na medida. Pra ser feliz todos os dias.

De qualquer forma, o tempo me deve respostas, assim como eu me devo mais respeito e atenção. Não sou máquina e até elas, a exemplo dos relógios, um dia ficam com a bateria bem fraquinha. Aqui, quando isso acontece, a gente diz que o relógio está comendo farinha, mas essa é outra história.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Você é uma mulher ou uma fruta?


Gente, o que é isso? Alguém pode me explicar?

O que significa essa coisa de Mulher Melancia, Mulher Melão, Mulher Jaca e Mulher Moranguinho?

É pra dizer que é comestível? Que é doce? Que é perecível? Que dá pra tirar casquinha e tudo mais?

Acho tudo isso muuuuito esquisito. Tem plantação de mulher agora, é? (Antigamente colocavam uma sementinha na barriga da mãe... Esse foi o começo de tudo.)

Ei, quero saber mais! Alguém aí está de olho na qualidade da semente? Com a quantidade de agrotóxico e coisas do tipo?

A tal Mulher Melancia, por exemplo, disse que tem 121 cm de bunda. (Ham?!) Eu só posso pensar que a fruta foi manipulada.

Aliás, é bom ter cuidado com os tais transgênicos também. Numa dessas o Ronaldinho se deu mal. Encontrou no meio da rua a Mulher Banana. Que escorregão, hein? Isso é Créu! Ou melhor, cruel demais!

Olha, sinceramente, acho tudo isso lamentável. Essas mulheres saíram das bancas das feiras para irem para as bancas de revista. Só falam nelas. Da revista Globo Rural à Playboy.

Socoooooooorro, Mulher Maravilha! É muita mudança pra uma cabeça só. A culpa é das placas tectônicas ou do mundo que anda girando na velocidade cinco?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Obrigada, Doutora Amariles Borba!

Por ajudar a fortalecer a minha fé na Santa Paciência.

Por me provar que “quem espera sempre alcança.”

Por me fazer ver que nem sempre é possível “vencer pelo cansaço”.

Por aumentar a minha descrença nas leis que regem o nosso País. Principalmente aquela que diz que crianças e idosos é sempre prioridade. Especialmente quando tiverem doenças crônicas, como é o caso do diabetes tipo 1.

Por ajudar a fortalecer o estereótipo de insensibilidade de muitos gestores que cuidam da coisa mais linda e sagrada que existe: a vida das pessoas.

Por colaborar com o meu entusiasmo pelo trabalho para poder manter financeiramente a pesada rotina de insulinas e glicemias. Sem economia. Quantas vezes forem necessárias.

Obrigada, especialmente, por me fazer refletir sobre o tempo e sobre a fé. A última vez que pedimos a medicação do meu Enzo foi em Novembro de 2007. Só no dia 21 de maio de 2008, GRAÇAS A DEUS, meu filho de 3 anos, diabético desde os 9 meses de vida, recebeu aquilo que é dele por direito. Sim, seis meses depois. É assim que o SUS e a Fundação Municipal de Saúde garantem o direito das crianças. Isso quer dizer que, nesse ritmo, meu filho receberá medicação apenas 2 vezes por ano.

Daria para ele ter tido cetoacidose, hipoglicemias severas e hiperglicemias que, a longo prazo, poderia resultar em cegueira, insuficiência renal, amputação de membros e mais um tanto de mazelas terríveis. Daria para ele ter “ajudado” a “onerar” os cofres públicos com dezenas de internações. DARIA PRA ACONTECER COISA MUITO PIOR QUE ISSO, SABIA? Mas Deus é maior que tudo isso.

Minha indignação é tão grande quanto o tempo que a gestora do SUS em Teresina, Dra. AMARILES BORBA, que mora no mesmo prédio que eu moro, leva para viabilizar a medicação de quem é amparado por uma lei justa, que não discrimina, mas que não é praticada.

Vale lembrar que antes da lei Nº 11.347 passar a valer de fato, o que aconteceu em setembro de 2007, já havia acionado o MINISTÉRIO PÚBLICO. A partir daí foi firmado um acordo entre a Promotora Denise Aguiar e o Secretário de Saúde do Município, Dr. João Orlando. Na prática, PASSAMOS A RECEBER A MEDICAÇÃO, SÓ QUE SEM REGULARIDADE ALGUMA. O fato é que O DIABETES NÃO ESPERA. MATA MESMO. E mais: é epidemia. Isso quer dizer que a demanda só vai aumentar.

Por último agradeço a Deus pela força e rezo pelos pais de crianças diabéticas que não tem sequer cultura para reivindicar os direitos dos filhos.

E A GENTE SEGUE COM MUITA FÉ.

OBRIGADA POR TER LIDO O MEU DESABAFO.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Já deu tempo de fazer amizades pra vida toda.

Ganhei palavras de presentes. Muitas.
Resolvi dividir estas com você.
Eu diria que elas são bem Luri de Almeida.

34 anos

Já deu tempo de aprender a amarrar os sapatos, de comer com garfo e faca, de trocar fralda de boneca e a do próprio filho. Já deu tempo de brincar de fofolete (lembra?).

Já deu tempo de resolver problemas de matemática e talvez alguns de amor.

Já deu tempo de não errar mais nas crases (eu, depois dos 40, ainda não consegui), de escrever e receber cartas (agora são e-mails). Já deu tempo de ganhar, de perder, se perder e se achar.

Já deu tempo de se descobrir sozinha, mesmo acompanhada e de descobrir que dois podem ser um só-lo. Já deu tempo de viver muitos contratempos, mas já deu tempo de superá-los também.

Já deu tempo de não ter mais tempo, de dar tempo ao tempo, de descobrir que, na vida, não se tem muito tempo a perder, mas, já deu tempo, também, de saber que é bom esquecer esse tal de tempo, pelo menos, de vez em quando.


Já deu tempo de usar minissaia, pantalona, calça cigarrete, boca- de- sino; de dizer “puts grilo”, “já era”, de dançar lambada, eh, macarena (ha,ha,ha,ha).

Já deu tempo de morrer muitas vezes e renascer, porque ainda há tempo para isso. De se fazer respeitada, admirada e, principalmente, querida. Já deu tempo de viver 34 primaveras e virar esta flor linda que você é.

Parabéns, amiga.

Luri

quinta-feira, 15 de maio de 2008

E eu acordei com 34


Muito cedo dei uma conferida em mim.
De cara lavada mesmo.


Diante do espelho, contei as rugas, olhei a cor do cabelo direitinho, enfim... Aparentemente, nada mudou. Nadinha.


Ainda estou em dúvida se conferi direito. Mas se algo tivesse se agravado de meia-noite pra cá, eu teria percebido. E como!


É claro que a idéia agora é dar uma leveza em tudo. Ontem eu andava por aí com uma tiara de lacinho. (É tudo intencional mesmo, viu?)


Mas afinal, o que significa acordar com 34 anos, hein?


Nesse exato momento, acredito que ter 34 anos é muito interessante. Principalmente se eu não tiver muita consciência do que seja três décadas e quatro anos e de que, muito em breve, estarei assim, meio quatro ponto zero.


Não ando cobrando amadurecimento, mas sei que ele vem se estabelecendo em todos os segmentos. As responsabilidades chegam e, de repente, a gente se vê com mais atribuições, aconselhando amigos, tendo que tomar decisões importantes. E mais: tendo que avaliar a própria caminhada. Tudo isso faz parte!


Por mais tiaras de lacinhos, creminhos para a pele, filtros solares, corretivos, calcinhas que apertam a barriga, blusas com manguinhas que escondem o músculo do “tchau”, enfim, por mais “artifícios de amenização”, hoje eu completo 34 anos. Ponto final. Essa é a grande verdade. Tá na certidão de nascimento, no documento de identidade e, claro, na minha cara. Não adianta titubear na hora de dizer. É TRIN-TA E QUA-TRO. (Soletra, vai!)


Trago as marcas da minha idade. Cicatrizes, rugas (algumas), estrias (poucas), varizes (algumas), celulites (muitas), cabelos brancos (muitíssimos) e muitas histórias pra contar.


Pra falar a verdade, não adianta forçar a natureza. É assim que tem que ser. Eu tenho 34 anos e um espelho que não mente nunca.


Um lindo dia pra mim.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Sim, fiquei diferente.

Meu beijo agora tem poder de cura.

Espanto monstros e coloco o bicho-papão para correr num piscar de olhos.

Meu abraço serve como isolamento acústico na hora dos trovões.

Meu afago é hipnótico. Faz até dormir.

Minha voz pode acalentar ou alertar. Mas posso falar só com o olhar, também.

Posso voar para qualquer lugar. Basta eu saber que ele precisa de mim.

E posso ficar dias sem dormir. Basta ele adoecer.

E posso fazer o tempo parar. É só deixar que as brincadeiras durem uns segundos a mais.

Ah, e posso flutuar. Basta ele dizer “amo ti, mãe”. Desse jeitinho mesmo.

A verdade é que eu vim do planeta Enzo. Lá tem uma fonte inesgotável de amor que preenche qualquer vácuo. Podem vir todas as “criptonitas” do universo. Estou pronta. Como já disse, vim do planeta Enzo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Segunda-feira




Viva o “ter o que fazer”.

O barulhinho do despertador.

O café-da-manhã apressado.

O sinal verde.

O prazer da obrigação.

A hora marcada.

O astral da segunda casa.

Os colegas que viram amigos.

Os amigos que viram irmãos.

As conversas no corredor.

A pausa para o cafezinho.

A exigência que faz crescer.

A internet que colabora.

O cliente que vira parceiro.

A gripe do vizinho de bancada.

A “vaquinha” para o lanche.

A Neosaldina emprestada.

A agenda lotada.

A falta de tempo pra fazer tudo.

Os post-its grudados no computador.

O “vá pra casa” nos dias difíceis.

O “até amanhã” no final do dia.

O dia do pagamento.

Viva o dia-a-dia!

E, especialmente, viva segunda-feira!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Vida de lápis


“Eu sou um lápis. Eu sou racional. Eu uso a cabeça pra fazer as coisas.

De mim saem palavras, gritos e gestos engessados nas entrelinhas.

Eu falo tudo do meu jeito, até por meio das reticências que nada mais são que três pontos sem nenhum pingo de juízo... Soltos...

Meu corpo é esguio. Preciso ser sustentado por alguma mão. Aliás, preciso do coração daquele que me segura para poder fazer o que é certo, dentro da racionalidade que busco. Mas se eu trocar as letras, escrever torto ou “disser” alguma mentira? Calma. Tem sempre uma borracha na outra ponta para desfazer tudo. E assim, vou deixando meu rastro.

E se eu cair no chão e perder a cabeça? Não vou ficar desapontado. Juro. Minha dona tem um apontador cego que me “acerta” pelo tato.

Por tudo, gosto do tato. Da delicadeza das mãos firmes. Só não suporto quando elas fazem contas erradas ou cartas de despedida. E, principalmente, quando elas me descartam, me substituindo por algum teclado de computador sem pé e nem cabeça.

Só espero que os legítimos registros, aqueles que trazem rastros de borracha, páginas amarelas e letras rasuradas, não se apaguem com o tempo.

Eu sou um lápis. Sou racional. Eu uso a cabeça e sei que ter um diário é bem mais significativo que ter um blog.”

(Viajei na nova campanha publicitária do Banco Itaú. Dela veio toda a inspiração para fazer este texto. Acho que gostei!)

AH, A FOTO É DO JAYLSON! (Brigada pelo empréstimo!)
TEM MAIS NO: http://www.flickr.com/photos/jays-world-sight

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A gente não quer só comida.

Gosto da sinceridade da Coca-Cola. Faz mal e pronto. Todo mundo sabe, ela não desmente e, mesmo assim, todo mundo quer. É um envenenamento consciente. Pra não pesar muito a consciência, nem a balança, a gente até recorre às versões mais boazinhas, tipo: light, zero... E assim a gente se envenena, mas não engorda. Legal essa Coca!

Ando cismada mesmo é com a cara de pureza dos tomates, das alfaces e dos morangos. É só cara, viu? Só pose! Aí a gente quer comer tomate porque tem licopeno e vitamina C (OK!). Aí a gente quer alface, porque tem Vitamina A, cálcio, fósforo e ferro (OK!). Aí a gente quer morango porque, antes de mais nada, é uma delícia (OK!). No final das contas, sobra agrotóxico. Uma média de 40% a mais do que o permitido, segundo a ANVISA. Isso significa que, diferente da Coca, a gente anda se envenenando inconscientemente. E o que é pior, a gente deixa de dar Coca-Cola para nossos filhos para dar tomate, alface e morango. (Aloprei agora! Enzo não pode ler isso NUNCA!)

Ah, detalhe, vi em uma reportagem que esse tal de agrotóxico não sai nem com água sanitária, nem com água quente, nem com vinagre, nem com limão, nem com soda cáustica. (Será se já testaram Coca-Cola?)

Triste essa falta de transparência. Descobri que comer é algo absolutamente desonesto. “Eles” começam comendo o dinheiro da gente por meio dos impostos salgados (e quem tem pressão alta?), depois arrasam a qualidade. Aquilo que não tem agrotóxico tem hormônio ou conservante. (Eu como ou choro?)

Tá, de repente, falei abobrinha demais (Dá um desconto!). Acho que ando comendo muito tomate. Agora o que acontece se o cardápio for salada de tomate e alface, acompanhada de uma latinha de Coca-Cola estupidamente gelada, e na sobremesa vier uma fatia de uma linda torta de morango? (Morre quem souber). Na dúvida, fique só com a Coca-Cola. Pelo menos ela é mais transparente. Especialmente as de garrafa. Afinal, a gente não quer só comida.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A necessidade é a mãe do talento

Tenho a mania de ler livros, textos e matérias interessantes associando-os às pessoas especiais que vivem em meu mundo encantado. Ao me deliciar com um texto muito legal do Eugenio Mussak, escrito para a revista Vida Simples, pensei na Jesus (publicitária, companheira de trabalho e AMIGA). No outro dia, repassei o link, tinha certeza de que ela iria se identificar com o conteúdo. (BINGO!) O texto abaixo é a resposta. Veio como um presente.

(AMIGA, senti até nas entrelinhas a força do seu talento, dom e vocação. Ah, e da sua coragem, também! Boa sorte em tudo. Amo você!)

A seguir, segue o link com o mesmo texto que enviei para Jesus. É muito legal!

http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/064/pensando_bem/conteudo_269913.shtml

Beijos.


A NECESSIDADE É A MÃE DO TALENTO
Hoje uma AMIGA, assim mesmo com letras destacadas porque ela é um desses anjos raros que Deus coloca em nossas vidas, me passou uma matéria que me relembrou a diferença entre dom, vocação e talento. Pra você, lembrar também, resumidamente: o dom é inato, genético ou um presente de Deus, como alguns preferem. Eu prefiro; o talento pode ser desenvolvido, é resultado de treino, disciplina e obstinação; a vocação, como o próprio nome sugere, é um chamado a fazer algo que dá prazer, que se tem certa facilidade em executar, mas que necessita também de dedicação e treino.
Eu, simples mortal, não nasci com nenhum dom, recebi vários presentes de Deus, mas o dom não foi um deles. E aos 32 anos de repente me vejo com uma tremenda falta de vocação. Sabe aquela falta de prazer em tudo que fazemos? Aquela vontade de ficar na cama, quando nem gostamos de ficar deitados? Aquela pergunta: o que é que estou fazendo aqui? Logo eu que sempre fui de arregaçar as mangas e correr atrás , fui abatida por essa “doença”. A parte boa é que com o diagnóstico podemos partir para o tratamento, quem sabe a cura. A questão é que quando chegamos a um diagnóstico como este, e isso não acontece de uma hora pra outra, no meu caso levou 2 anos, o tratamento é o que podemos chamar “de choque”. E a única saída é sair. Colocar um ponto final e começar novamente. Se não der pra escrever uma nova história, pelo menos virar a página. Isso não é fácil. E o primeiro passo é assumir a doença. É como assumir um alcoolismo e deixar de lado essa de “quando eu quiser eu paro”, no caso, “quando eu quiser eu deixo tudo e parto pra outra, estou só esperando o melhor momento e uma oportunidade”. CHEGA! O melhor momento não vai chegar e muito menos a oportunidade, porque o melhor momento é agora e as oportunidades estão por aí. Tem horas que é preciso chutar o balde, derramar água fora da bacia, jogar areia no ventilador, tomar uma decisão, fazer uma loucura. A denominação não importa. Importa o sentido: voltar a viver, buscar a felicidade.
Imagino que tem montão gente por aí sofrendo do mesmo mal e infelizmente ainda teve coragem de tomar a sua decisão. Eu sei que isso é muito difícil, ainda mais quando olhamos pro lado e vemos um filho, o companheiro, pessoas que economicamente e até emocionalmente estão muito ligadas a nós e são diretamente afetadas por nossas decisões.
Pra essas pessoas o que tenho a dizer é o seguinte: descobri que a minha falta de vocação foi causada por mim mesmo. Porque me acomodei, porque tive medo de arriscar, porque separei o trabalho do prazer, porque deixei minha vida de lado fui na onda do “deixa estar pra ver como é que fica”. Foi preciso “levar na cara”, ou melhor, no coração, pra poder acordar. E nossa! Como é bom acordar. E por estar bem acordada é que descobri que o desemprego não é um pesadelo tão ruim assim. Todos nós podemos recomeçar. Pesadelo maior era o que estava vivendo. E por estar bem acordada é que descobri que posso não ter nascido com um dom e ainda não ter ouvido a minha vocação, mas sou muito talentosa.
Pra essas pessoas, o mais importante que eu tenho a dizer é o seguinte: Se o talento pode ser desenvolvido, é resultado de treino, disciplina e obstinação, então ele é o oposto da acomodação, mesmo que seja em uma situação confortável. E acreditem: a necessidade é a mãe do talento. Se necessário for você vai descobrir, como eu descobri, o quão talentoso você é.
Jesus Rufino - 26/03/2008

O anjo tem nome: Jeane Melo, como tantos outros que Deus também colocou na minha vida. São tantos que nem caberia aqui a lista de nomes.

sábado, 12 de abril de 2008

Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

Beijar é palavrinha delicada, simpática.

Na gramática, está classificada como verbo. Por isso, pede atitude.

Mas pode até ser adjetivo, também. É comum se dizer que fulano é beijador.

O ato inspira poetas, compositores e gente que gosta de se alimentar de saliva.

E por falar em saliva, tem beijo para todos os gostos: de comadre, de esquimó, de desentupir pia, de respeito, de despedida e até beijo técnico.

E nem é preciso estar muito perto. O beijo pode ser só um “wink” do MSN. O importante é o sentimento que está por trás dele.

É claro que, em alguns momentos, ele apenas faz parte de uma formalidade. Mas mesmo nos cumprimentos do dia-a-dia, o beijo pode ser bacana. Especialmente se depois dele vier um abraço carinhoso. Gosto disso!

Mas o assunto é complexo demais. Judas beijou Cristo antes de traí-lo. (Que horror!)

E tem gente que beija de olho aberto. (Coisa mais triste!)

Outra: tem gente que nem beija! (Nesse caso, fique de olho aberto.)

Tudo isso é pra dizer que amanhã, 13 de abril, é o DIA INTERNACIONAL DO BEIJO.

Vai valer tudo: beijo de filho, de marido, de namorado, de avó, de mãe, de irmão, de pai.

Se eu fosse criança, ia brincar de “pêra, uva, maça ou salada mista”. Delícia, né?

Mas eu cresci, e agora só quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai, e pra você.

Ah, e outro pra Xuxa!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Bial, eu não tenho nada contra ela, mas tenho que votar em alguém.

Não consigo entender o sentimento “gisellístyco” que ficou.

Até me esforcei, mas achei demais encarar a “sister” como REPRESENTANTE do meu amado Piauí, como muitos entenderam. (Em qual categoria, hein?) Para mim esta foi mais uma imagem equivocada que apareceu em rede nacional. Agora “eles” vão entender que piauiense é esquisito, fala errado, gosta de dar patada nas pessoas e não sabe passar fio-dental nos dentes. (Valha!)

Me assustei com a repercussão. Uma multidão foi recepcioná-la no Aeroporto em um dia muito difícil. Foi decretado no Piauí ESTADO DE CALAMIDADE por conta das chuvas que caíram nos últimos dias. Eu até acho que quem merecia ganhar uma espiadinha a mais eram centenas de famílias desamparadas e desesperadas. Enquanto isso um carro do Corpo de Bombeiros não estava na sala de justiça, mas desfilava com a Gy por aí. Sério!

Pior que isso é pensar que ela pode virar referência para muitas meninas. Além de falar mal o português e o francês, conseguiu ir ao BIG BROTHER, vai pousar nua e, quem sabe, gravar um comercial para o Activia. (A Grazi já é garota-propaganda do Nesvita, viu?)

Agora, me diga, onde está o que realmente importa, hein? O Piauí ficou melhor depois disso?

Para mim, os grandes assuntos do momento são: Sarah Menezes, nossa representante em Pequim, e as duas escolas piauienses que estão entre as 20 no ranking das melhores do Brasil.

Isso agrega. É futuro. Eleva a nossa imagem.

Onde tem esporte e educação tem uma folhinha verde com uma esperança grudadinha sobre ela. Porque não dizem isso depois do intervalo comercial?

Vou esperar. Plim-Plim!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Em um dia de Abril


O tempo fechou. São Pedro abriu as torneiras do céu.

Abri a sombrinha do homem-aranha e saí para enfrentar uma cidade que acordou diferente.

Alguém disse que se sentia em São Paulo. Isso é bom ou ruim? Abri o sorriso ao pensar nos dois extremos.

E o dia seguiu. Liguei o computador. Abri arquivos, a caixa de mensagem e mergulhei no dia-a-dia.

Teve pausa para a indignação. Dei entrevista pra falar da falta de assistência aos diabéticos. Onde está a lei que garante a medicação gratuita? A verba desceu por água abaixo ou escorreu pelo ralo de algum lugar? Soltei o verbo e abri o coração de mãe.

E voltei pra casa. Abri a porta do quarto do Enzo. Ele dormia bem tranqüilo. Quis entrar em seus sonhos.

A agitação abriu meu apetite. Tinha franguinho na mesa. Com asinhas abertas e tudo mais.

E teve uma boa surpresa. O sol abriu. O céu clareou. Cadê São Paulo? E São Pedro? Meu cabelo agradeceu.

Agora o clima tá bem gostoso. Abri a garrafa de café para esquentar por dentro.

Em um dia de Abril, a gente tem que seguir esperta. Tudo pode acontecer. A gente abre a mente, mostra os dentes e segue. Com ou sem chuva.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer.

Mário Quintana escreveu um dia esta frase. Tudo a ver com o nosso primeiro de abril!

Ele era realmente uma delicadeza de pessoa. Não conseguindo chamar alguém de mentiroso, deve ter inventado essa aí.

Mas é porque mentira é palavra feia. É melhor dizer que fulano faltou com a verdade. Boa!

Com o tempo aprendi que me ensinaram tudo errado. Mentir não faz o nariz crescer. (Prometi que não vou contar essa para o Enzo.)

E outra: mentir é uma arte. Talvez um DOM. É mais ou menos assim: tem gente que nasceu para mentir. (Aff!)

Às vezes é uma necessidade. Pra ser sociável a gente vai colecionando umas e outras. Aí chega a colega com uma franja horrorosa e pergunta: “gostou, mermã?” (Ô gente, prefiro não ser tão sincera!)

Mentira é coisinha desengonçada. Dizem que ela tem até pernas curtas. Mas isso pode ser outra mentira. Nunca vi uma mentira caminhando por aí. Já vi mentirosos com pernas curtas, isso é outra história.

Agora tem uma verdade que preciso dizer: a pior das mentiras é aquela que mexe com o sentimento. Por exemplo: dizer EU TE AMO sem sentir, deveria ser crime. Ligar o botãozinho “esperança” nas pessoas, quando não se tem nada a oferecer, deveria nem dar chance a defesa.

Mas a verdade é filha do tempo. (Li isso em algum lugar. É outra boa frase.) De um jeito ou de outro ela aparece. Assim, como quem não quer nada. Só pra fazer prevalecer o que é certo.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Propaganda enganosa

Sim, meu cabelo não é tão lisinho como pensam, e nem tão pretinho quanto parece. A tinta dá um reforço legal, especialmente sobre os brancos.

Também não sou tão magrinha e tenho braços fortes. (Eu disse “fortes”, não “gordos”.)

E as calças cobrem um catálogo de celulites e o mapa hidrográfico da região amazônica, são as varizes.

E a pele tá cansadona, mas eu sei fazer pir-lim-pim-pim com um pozinho acompanhado de um blush cor-de-rosa.

E o sorriso às vezes sai legal. Mas por dentro as coisas andam meio down.

E a pressa é só para ver se o ponteiro do relógio acompanha a ansiedade por dias mais leves. Eu não preciso correr tanto assim.

Assim como não preciso ter tempo para escrever, já que sou feita de palavras e de idéias soltas. É só clicar em algum pensamento que esteja no canto superior direito da minha cabeça e fazer o download. (Por que demorei tanto a escrever em meu bloguinho?)

De um jeito ou de outro, as imagens são construídas e desconstruídas. Enquanto eu tento me apresentar assim, de um jeito que só eu sei, você pode estar concordando ou discordando. E mais, você até pode dizer que falo muito besteira e que não é bem assim.

Só sei que, verdadeiramente falando, adoro fazer propaganda. Das vezes que eu apelo para a ENGANOSA, só estou tentando CURTIR comigo. E, avisando: quem comprou gato por lebre, pode se contentar. Mamãe não aceita devolução. Isso você deve não saber porque o texto jurídico tava escodindo, entre o dedo indicador e o polegar. Sendo assim, pode continuar comigo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Um mês é tempo demais

Vai ser um dia estranho, mas tenho certeza de três coisas: o céu estará meio nublado, vou pensar mais nele e, claro, vai ter choro.

Pra falar a verdade, a ficha está caindo tão lentamente que até parece que ele só foi ali, curtir as férias que nunca teve.

Como alienada assumida, ando tentando não querer entender nada. Acordo tranqüila, consigo manter o humor no ponto certo e até mergulho concentrada no trabalho. E só pra sabotar qualquer drama que ameace aparecer, permito me presentear com uma boa música (me ajuda Nando Reis) ou mesmo com um pedacinho de chocolate. Mas amanhã, eu juro, não vou querer nem uma coisa, nem outra. Tô é precisando de colo de pai, conselho de pai, briga de pai, “carão” de pai, elogio de pai, conversa de pai, risada de pai. Será que é pedir muito?

De qualquer forma, vou visitá-lo só pra falar da saudade que sinto, afinal, nunca fiquei tanto tempo distante dele. Aliás, percebi que mesmo o tempo passando muito rápido, um mês já é tempo demais. (Como alguém consegue ficar tanto tempo longe do pai, hein?)

Ah, não sei de mais nada. Aliás, só sei de três coisas: amanhã o céu estará nublado, vou pensar mais nele e, claro, vai ter choro.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O meu anjo do lado

(Carvalho, que também é meu anjo do lado, postou esse texto no bloguinho dele - Garoto de Blograma. Em um dia de muita gripe, com direito a nariz entupido e tudo mais, bebi essas palavras como se elas fossem um chazinho delicioso, com direito a torradinhas feitas na hora. Te amo, amigo! Me emocionei.)

"Você conhece alguém que apesar de não ser da família, nutre por ela um grande carinho e pensa que sem ela talvez seus dias fossem mais cinzas que azuis. Alguém que não dividiu com você a mesma escola, o mesmo parque e nem os mesmos amigos de infância e, ainda assim parece que esteve sempre junto.
Não sei muito se esta história de alma gêmea é verdadeira, mas acredito nos casos em que as pessoas são, por assim dizer, uma extensão da outra, embora não exista muito em comum entre elas.
Sabe, ela é aquela irmã que falta para dar um pouco mais de atenção e dizer a verdade na tua cara porque gosta muito de você, e tem certeza que você não vai se ofender por isso.
Muito do que há em nós mesmos, é resultado desta convivência positiva.Você se sente bem pra conversar, pra sorrir e até para dividir alegrias, problemas e tristezas.
Mesmo que você a magoe, ela nunca te julgará menos merecedor de sua amizade. Creio que toda pessoa queria ter alguém assim, sem máscaras, sem meias palavras e, sobretudo, sem medo de dizer que está ali ao seu lado, embora a gente nunca se dê conta de quanto isso é importante.
Sou privilegiado, não tenho muito a oferecer, mas de bom grado acato tudo que possa me fazer crescer como pessoa.Sou grato, posso dizer, tenho uma grande amiga, ela vale muito e talvez nem tenha noção de o quanto. O seu nome?Jeane. E significa: “Deus é bondoso”, no caso de tê-la como amiga, principalmente para mim.
Nada é por acaso, por isso você está aqui. Que bom.
Anjos não são pessoas, mas há pessoas que são anjos."

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Te amo, pai!

É só sentir o cheiro de uma camisa azul que guardo no armário.

É só olhar um senhor usando boné.

É só encontrar os amigos dele.

É só lembrar do seu jeito amigo.

É só ver um filho abraçar o pai em uma cena de novela.

É só ver um avô com o netinho na propaganda de plano de saúde.

É só o Enzo perguntar: “Mãe, cadê teu pai?”

É só pensar como serão todas as datas “legais” de 2008.

É só tentar imaginar como será viajar sem ele na Semana Santa.

É só perceber que não terão mais os melhores conselhos, as opiniões mais acertadas e o carinho expresso por meio de inúmeros cuidados.

É só falar dele com o verbo no passado.

É só perceber que os abraços e os beijos não vão se repetir.

É só sentir a casa vazia.

É só entender que o amor é o que mais importa, até mesmo quando a saudade aumenta e o coração fica apertadinho. Te amo, pai!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Para sempre lembrar do primeiro dia.

Nós e o famoso "lelecípe".
E ele pronto pra enfrentar o mundo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Filho, me ensina!

Enzo fez 3 aninhos e já começa a assumir o “peso” da idade. Tem que acordar cedo e ir à escola. Daqui a pouco ele vai começar a sentir as primeiras cobranças. Vai ter prazo para entregar os desenhos coloridos, os pontinhos interligados e, ainda, terá que brincar de “lelecípe” (leia-se: velocípede) nos intervalos das aulas. Noooooossa! Que adrenalina! (Coisa mais linda da mãe!)

Olhando a turminha do Enzo, Maternal II, vejo que eu ainda poderia aprender muito. Devo ter perdido muita aula na infância. (Será que eu gripava muito? Vou perguntar pra mamãe.) Já penso em ir à escola com o Enzo no dia em que a Tia for ensinar qual o lado direito e o esquerdo. (Preciso sempre olhar para o braço do relógio e pensar alguns segundos, até me situar.) Acho que poderia participar, também, das atividades que trabalham a coordenação motora. (Será que eu tinha Lego em casa? Essa é a outra pergunta que preciso fazer para a mamãe.)

Tenho que "pedalar" (e não é de "lelecípe"...) para ser uma boa mãe de um estudante do Maternal II. Vou ver se eu evoluo um pouco com a massinha de modelar. Só sei fazer cobrinha. Vou ver se aprendo, também, a desenhar uma pessoa parecida com gente. Só sei desenhar figurinhas anoréxicas, feitas de palitinhos. (Valha!) Mais tarde, bem mais tarde, vou ter que estudar a tabuada pra não fazer feio. (Quanto é mesmo 9 x 8? Vou para a calculadora ou para os dedos. "Peraí".) Gente, e quando começarem as aulas de trigonometria? (Tô ferrada!) Aí vou ter que dizer: Filho, me ensina, por favor!

É, desculpa a ansiedade. Acabei de estrear no Maternal II. (Enzão, acho que vou dar trabalho!)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Juro que não esqueci

João Hélio, juro que não esqueci. Foi dia 7 de fevereiro, né?

Meu coração ficou fechadinho. Cedo busquei notícias na internet.
A maioria das informações era da época em que você havia partido. Só vi meia dúzia de notícia atualizada. Logo a ficha caiu. (Ou melhor, o cartão de crédito passou. A imprensa só fala sobre isso agora.)

Vi que seus pais não agüentaram a dor da missa de um ano e acabaram não indo. (Aliás, como eles suportaram chegar até aqui, hein?)

Ah, tem uma notícia boa e outra ruim pra você. O que eu conto primeiro? Bem, vou começar pela boa: seis dias antes de completar um ano sem você, quatro dos culpados foram condenados a penas que ficaram entre 39 e 45 anos. Agora vem a notícia ruim: o quinto sem coração, que na época do crime era adolescente, cumpre medida socioeducativa. (Socio o que? Me canso disso... São “ingênuos” para umas coisas e espertíssimos para outras.)

Desculpa, João Hélio, acho que, o que eu acabei de “falar”, nem deve interessar tanto. “Digo”muita bobagem. Você está acima disso tudo. Mas o que contar a um anjo?

Ah, me faz um favor... (Se não for abusar muito da sua fofura!) Procura meu pai por aí... Não sei onde ele está exatamente, mas não deve ser difícil localizar. Ele chegou aí no dia 29 de janeiro de 2008, às 6h40. O nome dele é Francisco e ele ama criança. Quer ser amigo dele? Caso o encontre, dê um beijinho nele por mim.

Aproveite para comer muito algodão doce com ele. Sempre penso que as nuvens, além de lindas, são gostosinhas.

Beijinhos, João Hélio.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Apenas o perdemos de vista

Foram meses de aprendizado que valeram por uma vida inteira.

Teve o capítulo do desespero, da calmaria, da luta, do medo, e um bem longo que mostrou na prática o que era fé e resignação.

Hoje, sem ele, vivemos aquela parte que diz que a saudade é grande, mas a vida continua.

Meu pai é o personagem principal disso tudo. Hoje sinto que não chegamos nem a viver um longa-metragem. O tempo sempre voa. Não deu nem para comer o saquinho de pipoca inteiro.

Mas vale dizer que ele foi herói em todas as horas nesse roteiro. Acho até que nem precisava ser tão forte. Mas ele, como um bom FRANCISCO, agüentou com tolerância, paciência e simplicidade todas as dificuldades.

Papai era assim mesmo. Um bom FRANCISCO. Gostava de ser amigo, de ajudar, de aconselhar, de confiar, de trabalhar, de valorizar, de amar a todos e de cuidar bem da família. Nós éramos seu tesouro.

Acredito que quem conheceu meu FRANCISCO vai achar que a vida vai seguir esquisita demais.

Me emociono sempre com o estilo de viver do meu Pai. A doença pôde tirar dele a energia de seguir semeando sua simplicidade, mas, sem dúvida, a doença deu a ele a oportunidade de fazer uma colheita valiosa de amor e gratidão.

E teve a vizinha que não deixava faltar bolinhos de queijo arrumados delicadamente em uma travessinha, e uma outra que levava as folhinhas do chazinho preferido, e ainda aquele amigo que não sabia o que fazer para ajudar – um dia, após insistir muito, foi cuidar dele no hospital. Teve até o que ficou com a árdua tarefa de deixá-lo bem no caixão. Foi o último pedido.

Senti o verdadeiro amor desabrochar por meio do silencio, dos abraços, dos inúmeros telefonemas, das orações, das visitas que vinham de longe, do carinho dos vizinhos e do adeus que uniu dezenas de pessoas na pracinha que o papai tanto gostava.

Também não posso esquecer de um carinho vindo pela internet.(Meu pai, aliás, nunca entendeu direito essa tal de internet.) Chorei ao ler a cartinha do nosso Rômulo, filho da Fatinha, garoto de 20 anos que na época estudava em Campinas. Papai, que ainda estava juntando forças para reagir ao câncer, chorou também. Hoje acho que é isso o que tem que ficar.

Agora, na dor, sofro pela perda, mas agradeço a Deus por Ele ter enviado o meu FRANCISCO.
Obrigada, Pai! Sei que apenas o perdemos de vista.

Meu FRANCISCO, por favor, continue cuidando da gente!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Gosto de Briefing bem passado.

Gosto de tudo bem passadinho.

Nada de carne com gosto de sangue, roupa amassada ou briefing sem informação. Por favor!

Dos três, o pior é digerir briefings empurrados “goela adentro”. Do tipo que o atendimento passou 8 horas com o cliente, mas resolveu resumir tudo em oito linhas. (Tem sal de fruta, Serginho Groisman?) E não adianta chorar, morrer. Eles querem que você seja inteligente o suficiente para entender as entrelinhas.

Ahhhhhhh tá, não é só publicitário que acessa o Bloguinho. Então, vou explicar: o briefing é a matéria-prima da criação, informação bruta. No ponto da gente lapidar. Por isso o briefing precisa ter tudo, inclusive aquilo que o atendimento acha “nada a ver”. (Acho muito chique falar: vou estudar o briefing! Ô, frescura!)

Mas tem gente que tem mania de simplificar. (Ou complicar?) Já teve quem me entregasse um cartão de visita jurando que se tratava de um briefing. (Sério?) Ah, também recebi o endereço de um site e uma pilha de revistas com o seguinte complemento: “Veja o que é isso e faça um institucional bem lindo. O cliente é exigente.”

Só sei que adoro saber exatamente o que “falar” quando escrevo. Tenho sempre as informações completas das “bobagens” que "digo". Fico soltinha, enchendo meus textos de “nada a ver”. Mas como sou eu quem aprova, fica fácil né? (He he!)

Agora, encontrar a solução de um problema e, na maioria das vezes pra ontem, com briefings que mereciam ser cozinhados por mais duas horas, fica difícil. Ei, atendimento, quero um briefing bem passado. Ligeeeeeeeiro!

P.S: Nem acredito que escrevi esse texto. Tô com o coração apertado por conta do meu paizinho! Vai passar!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Aceito.

Eles disseram isso há 43 anos. Tiveram só uma festinha informal. Bem simples. De nobre mesmo, só o sentimento e as alianças de ouro.

A roupa dela não tinha véu, nem grinalda. Aliás, pouco lembrava uma noiva, a não ser pela cor do vestido que usava.

Só sei que 43 anos se passaram e hoje eles estão entendendo melhor aquele texto que diz: “Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença.”

Nos últimos 33 anos, fiz parte da vida deles. Recordo-me da alegria do nosso convívio quando eu ainda morava com eles. Família é coisa linda mesmo! É, também, um casamento. Tem que haver muita coragem e desprendimento para construir um dia-a-dia saudável.

Outro dia os ouvi falando que se casariam outra vez e achei isso muito lindo. O ACEITO ficou fortemente nas entrelinhas. Acho até que, apesar de não ter sido dito, foi o ACEITO mais sonoro que eu pude ouvir. E o mais sincero, também. Sinal de que o amor também se fortalece nas dificuldades.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Cabana, casinha na árvore ou ficar detrás da porta?

Pode ser uma cabana feita de lençol ou uma casinha em cima da árvore preferida. Tudo vale. Às vezes dá vontade de sumir, ter um esconderijo. Quando a gente é criança isso fica mais fácil. Ficar atrás da porta já resolve. (Existe forma mais fofa de se desconectar de tudo?)

O nome pra isso é FUGA. É uma forma de se distanciar dos problemas, do que incomoda, do que não faz feliz.


Nos desenhos animados isso é ainda mais fácil. De repente o personagem tira do bolso um desenho escuro, oval, joga no chão e entra nele, evapora. (Viva o lúdico!)

Ando tentando encontrar refúgios em mim. (Seria ridículo alguém me encontrar debaixo da cama, por exemplo.) Me desligo escrevendo, trabalhando, ouvindo música, lendo um bom livro, rezando, ou, simplesmente, fechando os olhos e buscando meu mundo perfeito.

A doença do meu pai está sendo, ultimamente, o grande motivo das minhas fugas. Quero, por exemplo, passar todo o tempo do mundo com ele e, ao mesmo tempo, ficar só comigo. (Olha que paradoxo!) Me consumo ou ver as dores e dificuldades dele. Não sei o que fazer para ajudar. Não sei o que falar. Não sei. Simplesmente não sei. Deviam ensinar isso na escola. (A gente nunca sabe quando vai passar por uma situação como essa.) Mas já aprendi que isso é coisa para a vida ensinar. As aulas têm carga-horária de 24 horas por dia. Sem direito a férias. É bom não cochilar.

A vida tem me ensinado, por exemplo, que é preciso ficar atenta pra não se desconectar por muito tempo. A grande verdade é que, pior do que encarar a dor, é sentir a sensação de vazio por ter deixado de viver o dia-a-dia. A gente tem dias perfeitos, legais, mais ou menos, péssimos e outros que nem deveriam ter existido. Pras últimas opções aí, vale apelar para as cartas, aos universitários ou, ainda, aos refúgios. Por favor, amigo, se você me encontrar atrás de alguma porta, não me leve a mal.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Jeane, agora é a sua vez de ir para o Confessionário.

E começa hoje o Big Brother Brasil.

Em seqüência vem a pergunta: Isso vai me transformar numa pessoa melhor?
(A resposta a gente já sabe.)

E agora? Desligo ou assisto?

Se eu não souber quem ficou debaixo do edredom com o bonitão da casa, vou para o paredão?

Se eu conseguir fazer o Enzo desistir de assistir ao DVD do Tom e Jerry (pelo menos por uma noite) viro a líder da semana?

Decidi que vou votar no Bial. Ele sim é Big! O cara até consegue agregar um pouco de cultura em um ambiente em que o tamanho da bunda é o que importa! (E não é que tem umas bem grandes sem celulite?)

E aqui em Teresina não se fala em outra coisa: tem piauiense, que nasceu em Timon-MA e que mora na França, nessa história. (Que meda! Eu falei meda, não, merda!)

E é o seguinte, Bial, eu adooooooooooro a fulaninha. Não tenho nada contra ela, sabe? Só que eu tenho que votar em alguém... (Adoro esse texto!)

Voltando a falar no Bial, acho que vou imunizá-lo. Lindo, te passo o colar de anjo. Aliás, Bial, você na verdade é um “santo”. Vou dar uma “espiadinha” hoje só pra te ver.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Lembrancinhas que ficam na memória

Sou uma pessoa muito esquecida. Viciadíssima em agendas e listinhas. (Sem elas perco o norte.)

Minha mãe, tentando me ajudar, até me apresentou “a solução” para esse GRANDE problema: Ginkgo Biloba. (De cara gostei do nome.) Ele serve para um monte de coisa (não lembro bem, mas é meio dez em um). Ah, melhorar a memória é uma das “promessas” do tal remédio. (Detalhe: ando me esquecendo de tomar os comprimidos. Comédia!)

Apesar de ser extremamente esquecida, tenho uma memória emocional aguçadíssima. (Até penso que minha cabeça fica no coração.) Tudo isso é pra dizer que, apesar do Natal ter acontecido ontem, o que mais ficou dessa data foi o carinho dos amigos. O mais recente chegou ao meu trabalho por meio de um motoboy. A “encomenda” veio em uma caixa branca delicadamente decorada por quem enviou. (Minha Josélia querida!) Na descrição do conteúdo vinha: “contém 1 envelope e meu copo preferido”. Nem precisa dizer que eu PI-REI. Achei muito legal ganhar o copo preferido de alguém. Tipo, usadinho mesmo e cheinho de digitais. Isso é muitíssimo bacana!

Realmente tenho amigos que entendem bem o sentido de uma amizade verdadeira. Luri me presenteou com uma borboleta e, ainda, com sua nobreza. (Como diz a Lis: Luri, você é muito nobre!) Lis me deu uma colher-de-pau, que não vou ter coragem de usar nunca de tão delicada que é. (Ela adora surpreender. Tudo que vem dela tem um pouco de história.) Carvalho me emocionou com um livro que fala sobre amizade. (Carvalho, preciso cuidar mais de você!) Jesus me deu outro livro para ajudar a aliviar meu coração. (Jesus, seu brilho é muito maior que os “strass” daquela sandália.) Rômulo, me deu a trilha sonora para 2008: um CD com as melhores dos Los Hermanos. (Rominho, vamo “apontar pra fé e remar”. Te amo!) Aí, vem o copo preferido da Josélia. (O que eu faço contigo, pessoa linda?)

Faltou “falar” de todas as mensagens lindas que li e ouvi. São lembrancinhas que ficam forte na memória. Já disse que minha cabeça fica no coração, né?

Pra todo o resto, Ginkgo Biloba nela! (Não nasci pra guardar números, formatos de anúncios e nem informações de briefing.)